segunda-feira, junho 20, 2005

Américo Costa, português nacionalista que ama a sua pátria...

Américo Costa é um português nacionalista como qualquer outro. No Sábado percorreu, orgulhosamente, as ruas de Lisboa na marcha nacionalista.

Américo sabe que é um bom cidadão, respeitador, amigo do seu amigo. Quer dizer, tirando o Antunes. Desde aquela vez que este se chibou à polícia quando o Zé Engates lá do bairro, depois de passar no barbeiro a aparar o seu corte pente zero, deslizou a navalha no pescoço do Makimba que trabalhava nas obras do novo centro de saúde, tudo mudou. Américo percebeu que o Antunes era uma dessas pessoas sem moral em quem não se pode confiar.

Acima de tudo Américo ama o seu país. Este Portugal de corajosos marinheiros que pelo Atlântico se aventuraram, lutando nobremente pelo seu país e conquistando novos territórios.
Américo só tem pena dos pretos e dos loiros entroncados que vêm para cá roubar-nos.

Ainda na quinta-feira à noite, no Bairro Alto lhe roubaram o auto-rádio, que ainda por cima, tinha lá dentro o CD do Tony Carreira. A polícia apanhou um miúdo, um tal de Bernardo de Sousa, filho dum diplomata, que andava a dar na heroína. Afirmaram que foi ele que o roubou. Mas Américo não é estúpido. De certeza que foi um ucraniano ou um preto que tramou o miúdo.

O maior desgosto de Américo é mesmo esse: ver o seu país cheio de estrangeiros que só vêm tirar o emprego aos portugueses e estragar as suas vidas. Se não fosse o seu pai ter furado as fronteiras antes do 25 de Abril para trabalhar em Paris e assim lhe ter proporcinado um bom futuro, também Américo estaria agora no desemprego.
E Américo sabe que a sorte destes imigrantes é os portugueses terem bom coração e deixarem-nos trabalhar nos estádios do Euro, mesmo sem estarem legalizados... só para lhes darem um modo de sobreviver.

Para Américo, expulsavam-se todos esses estrangeiros. Cada um ia para o seu país, Guiné, Brasil, Angola, Ucrânia, Moldávia, Moçambique...
Portugal daria imediatamente um salto para a frente. Deixavam de vir para cá ganhar o dinheiro que é nosso.

Mas o que deixa Américo mesmo feliz, é o seu Benfica. Aquele Eusébio é que foi um português que deixou o seu país orgulhoso. Ainda hoje, Américo guarda uma camisola autografada pelo seu ídolo da juventude.
E agora vem aí um craque brasileiro, um tal de Negão Sorvetinho. Parece que é um artista. Vai ser o jogador mais bem pago do Benfica. Américo tem a certeza que será dinheiro bem entregue. Dará muitas glórias ao seu clube.
E o estádio... aquilo é que é uma construção que deixa Américo orgulhoso. Em nenhum dos países desses estrangeiros há um estádio como este. Não têm ninguém que os consiga construir... são preguiçosos.

Ainda na terça-feira, na repartição de finanças em que trabalha devido a uma cunha do seu primo, Américo, na segunda pausa que fez às 10h30, conversava com o Almeida sobre isso. Esses emigrantes de leste vêm para cá dizer que são médicos e engenheiros porque não querem trabalhar. Mas nós é que não somos estúpidos e metemo-los nas obras. Eles que aprendam a ser trabalhadores como nós.

Felizmente Arménio sabe que Portugal tem cidadãos distintos que dão um bom rumo ao país. Aqueles senhores que aparecem na televisão, que ocupam os altos cargos dos clubes, do governo e das câmaras municipais. Por exemplo, aquela senhora perseguida injustamente, que fugiu para o Brasil. Ou aquele senhor simpático que Américo via num reality-show na TV, que até construiu um estádio na sua terra.
Américo sabe que a desgraça deste país são esses miúdos pretos que roubam telemóveis e maçãs na mercearia da Senhora Ermelinda. Esses é que conduzem Portugal por maus caminhos.

Assim, no Sábado, Américo marchou pelas ruas, orgulhoso do seu país. Insultou pretos e outros emigrantes acusando-os da onda criminal que invade Portugal.
Américo sentiu-se um cidadão íntegro e cumpridor.
Houve momentos em que a manifestação abrandava o fulgor. Mas aí, como em qualquer manifestação em Portugal em que não se sabe bem o que dizer, Américo gritou bem alto: "25 DE ABRIL SEMPRE!!!!"

Só há uma coisa que Américo ainda não percebeu bem: não foi o 25 de Abril que abriu o país ao estrangeiro permitindo a entrada de produtos, ideias e... pessoas?!

Mas Américo não perde muito tempo a pensar nisso. Está contente. Foi uma boa ideia ter disfarçado esta manifestação racista e xenófoba, como uma manifestação contra o crime.

JG

10 comentários:

thirdeye disse...

Ó João, quando tiver tempo leio este.

thirdeye disse...

Mas hei-de ler.

thirdeye disse...

Isso é certinho.

João Gomes disse...

Tens a certeza que queres arriscar?!

Se eu fosse a ti não fazia uma coisa dessas... a tua vida pode mudar para sempre...

:D

Anónimo disse...

eu até li... (MILAGRE, diz o povo unido em rejubilo plo meu feito)...e até pus aqui um comment...mas esqueci-me do meu usename ou por alguma razão estúpida, este PC da UBI não aceita aquele que eu axo ser o correcto...

vai assim mesmo

"anonymous"

ou então não...

Petrucci

:P

P.S: Uppsss, acho que me esqueci de referir o post do JG!!

aqui vai: FORA COM ELES!! VAMOS VIRAR À DIREITA!!

VIVA A MONARQUIA!!

Marta disse...

Confesso que quando abri o Mail de Porcelana e vi um post tão grande, fechei-o outra vez... mas a curiosidade é um bichinho que inquieta demasiado e não resisti a ler...
Excelente apontamento, João!

monstro disse...

Olha lá... ó João... não é "Américo" o nome com que costumas assinar os teus livros? Até lhe deram uma palavra, só para o designar. Ahhh, é o pseudónimo?

Agora a sério. Não sou capaz!

alchemist disse...

JG,
quando tiver vontade de ir cagar levo o pc e leio. Mas leio...

alchemist disse...

olha, lembrei-me agora, o meu tio chama-se Américo Costa!

João Gomes disse...

:D

Alchemist... cuidado não limpes o rabo a uma folha do Word...

:D