segunda-feira, maio 09, 2005

Sketch II: "A senhora que tinha uma vontade compulsiva de saber se sabiam quem ela era"

Nova ida a um centro de exames e nova experiência alucinante.

Esperava eu pela minha vez para fazer um TAC, novamente em jejum, quando uma senhora se dirige a outra e pergunta: "sabe quem eu sou?".
A outra respondeu negativamente.
Ela continua: "eu até já estive em sua casa!".
Mas mais uma vez não dizia quem era, perguntava apenas se a outra senhora sabia quem ela era. Cheguei a desconfiar que ela própria não sabia quem era.
Lá acabou por a reconhecer.

Passaram não mais que cinco minutos quando entra uma outra pessoa. Sentou-se.
Novamente a senhora vai ter com ela: "sabe quem eu sou?".
Mais uma vez a outra responde negativamente.
Ela insiste: "a sua tia trabalhou comigo".
Novamente não diz quem é, apenas insiste em saber se a outra senhora sabia quem ela era... como se tratasse de um jogo de crianças.
Termina de forma idêntica à anterior: acabou por a reconhecer.

O que mais me impressionou é que esta última pessoa que não reconhecia a senhora acabou por dizer mais tarde: "Você está igual, parece que os anos não passam por si. Está mesmo igualzinha...".

JG

3 comentários:

Petrucci disse...

o importante é que ela estava no centro de saude?hospital?...o que por si acaba por ser um prova importante de que, o provável é que seja da familia da Senhora com falta de auto-estima...segundo um breve estudo às estórias, vejo que padecem do mesmo problema de identidade...o que me faz questionar se será bom ir a esses lugares...não será um virus que anda por aí?

alchemist disse...

eu acho que temos de reconhecer o problema no início... estando a senhora num centro de exames [onde se faz (quase) todo o tipo de exames], o pressuposto é de qalgo de errado se passa com a senhora. mas acho que os hospitais e afins sempre serão, por excelência, lugares de convivência e encontro entre pessoas que há muito não se viam

monstro disse...

Permitam-me discordar. (Só para deitar achas [da expressão "achas mesmo?"] na fogueira.)
Hoje em dia a ida ao hospital, centro de saúde, centro de exames não é mais do que um acto social.

Há inclusivé, no submundo ("underground" para os mais es-pevides) várias casas de apostas e de "gambling" (eu sei que não devia praguejar aqui mas...) com velhotas a discutirem suas doenças e idas ao hospital.
Os portugueses são e'g'xímios nisso. Ora vejam lá se já viram

! "Clic!, Lá está!" !

algum português com mais de 30 anos responder à pergunta "Como é, páh, como é que tens andando?" com um "Ya, Curte-se!"?

Exacto! Não se vê... respondem sempre, mesmo que nada tenham:
"Humm.. não sei não mas" - E enfatize-se o "não sei não mas" -
"Hummm... NÃO SEI NÃO MAS acho que ando a 'cozinhar alguma'!".

Vou querer retirar do grupo aquelas pessoas que vão por realmente terem que ir (é que algum dia me pode calhar a mim, e se calhar calha mesmo [infelizmente]).